Eu sou o olhar de sal e solidão, a inquietude e a imensidão, muito para além do meu tamanho. O rosto queimado, a maresia, os pés descalços, eu sou a nostalgia da epopeia lusa de antanho. Sou o povo que do mar se alimenta, por séculos de dor e de tormenta e que o sonha e chora tanta vez. Sou o negro, o amarelo e o vermelho. Todas as cores reunidas num espelho. a História que se escreve em Português. A sereia que encanta, sedutora, marinheiros sedentos da aventura de dar ao mundo, um mundo ainda maior. Os filhos do mar ido e não voltado. Sou outro chão e outro mundo ignorado que dista muito além do Bojador. Sou quem vai, mas sempre volta no caminho, a saudade que se escreve com carinho, povo de um coração nobre e valente. Sou aquela que pisa no sargaço. Que contempla o mundo todo num abraço que é a filha e a mãe de tanta gente… Alma de mar, salgado e às vezes doce. Gente brava, cantada a cada estrofe que persiste e resiste neste mund...
Vivia no campo, eu era importante. Chegou o progresso, fiquei radiante. E cedo percebi que não era assim pois senti o cárcere em volta de mim. Procurei nos cantos da grande cidade aquilo que homens chamam liberdade. Nas ruas, nas fábricas, nas casas da lei procurei a dita e não a encontrei. Eu fui à procura em outros lugares. Andei por países, corri outros mares. Em tudo encontrei a doce ilusão que o homem é livre na sua prisão. Na busca da fugidia aspiração símbolo da desejada evolução, o ser, esse constante insatisfeito, vai aonde for capaz em seu direito. Aquele que persegue esse ideal esquece muitas vezes e para seu mal que quando se escreveu a explicação construía-se-lhe também a servidão. Mestres da retórica da incerteza ensinam a liberdade sem clareza e induzem nos mortais essa impressão de ser a utopia, uma ilusão. Ser livre é ser mais alto, é ser maior. Arbítrio per...
Que somos nós afinal? Capítulo 15 Intuindo mais além… O ser humano chega ao mundo incompleto e imperfeito, para uma etapa reencarnatória. Até cerca dos sete anos, a criança ainda se encontra muito ligada ao mundo espiritual, sendo frequente episódios em que é referida a presença do amigo imaginário, ou a ligação afetiva a lugares e pessoas que, supostamente, terão feito parte da vida da criança anteriormente. Nem a criança, menos ainda as famílias atuais conseguem explicação racional para estas memórias. Estudiosos defendem a teoria, não comprovada cientificamente, mas abordada em alguns estudos sérios, de que nos primeiros anos a criança tem ainda muito presente, memórias do mundo espiritual, de uma permanência denominada “entre vidas”, bem como de espíritos que a acompanham e transitam com ela, para ajudar na sua adaptação à nova vida terrena. Segundo a teoria reencarnacionista o homem virá ao planeta vestindo um corpo físico tantas vezes quanto as ne...
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