Eu sou o olhar de sal e solidão, a inquietude e a imensidão, muito para além do meu tamanho. O rosto queimado, a maresia, os pés descalços, eu sou a nostalgia da epopeia lusa de antanho. Sou o povo que do mar se alimenta, por séculos de dor e de tormenta e que o sonha e chora tanta vez. Sou o negro, o amarelo e o vermelho. Todas as cores reunidas num espelho. a História que se escreve em Português. A sereia que encanta, sedutora, marinheiros sedentos da aventura de dar ao mundo, um mundo ainda maior. Os filhos do mar ido e não voltado. Sou outro chão e outro mundo ignorado que dista muito além do Bojador. Sou quem vai, mas sempre volta no caminho, a saudade que se escreve com carinho, povo de um coração nobre e valente. Sou aquela que pisa no sargaço. Que contempla o mundo todo num abraço que é a filha e a mãe de tanta gente… Alma de mar, salgado e às vezes doce. Gente brava, cantada a cada estrofe que persiste e resiste neste mund...
Que somos nós afinal? Capítulo 17 Solidariedade de cura Quando nos deixamos apanhar pela solidão, quando a doença se nos apresenta, o melhor antídoto, sem dúvida alguma, é pensar no outro. Naquele que vive uma solidão maior e uma doença pior que a nossa. Certo é, que o desânimo que nos acompanha nessas horas, nos tira a lucidez e a coragem, pelo que o sentimento é de pena de nós mesmos e nenhuma preocupação com os outros. A constatação, para quem já passou por isso, é que se efetivamente nos conseguirmos desligar um pouco do nosso drama, da autopiedade e olharmos o outro que está numa situação desamparada, provavelmente conseguimos esquecer um pouco a nossa dor, deixando a natureza mais liberta para curar o nosso sofrimento. Fazer bem aos outros, é fazer bem em primeiro lugar a nós mesmos. Quando nos envolvemos nos problemas dos que nos rodeiam, com intuito solidário e nos esquecemos da lamentação, impedimos a nossa mente negativa de interfer...
Que somos nós afinal? Capítulo 15 Intuindo mais além… O ser humano chega ao mundo incompleto e imperfeito, para uma etapa reencarnatória. Até cerca dos sete anos, a criança ainda se encontra muito ligada ao mundo espiritual, sendo frequente episódios em que é referida a presença do amigo imaginário, ou a ligação afetiva a lugares e pessoas que, supostamente, terão feito parte da vida da criança anteriormente. Nem a criança, menos ainda as famílias atuais conseguem explicação racional para estas memórias. Estudiosos defendem a teoria, não comprovada cientificamente, mas abordada em alguns estudos sérios, de que nos primeiros anos a criança tem ainda muito presente, memórias do mundo espiritual, de uma permanência denominada “entre vidas”, bem como de espíritos que a acompanham e transitam com ela, para ajudar na sua adaptação à nova vida terrena. Segundo a teoria reencarnacionista o homem virá ao planeta vestindo um corpo físico tantas vezes quanto as ne...
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