Mensagens

Alma de mar

Eu sou o olhar de sal e solidão, a inquietude e a imensidão, muito para além do meu tamanho.   O rosto queimado, a maresia, os pés descalços, eu sou a nostalgia da epopeia lusa de antanho.   Sou o povo que do mar se alimenta, por séculos de dor e de tormenta e que o sonha e chora tanta vez.   Sou o negro, o amarelo e o vermelho. Todas as cores reunidas num espelho. a História que se escreve em Português.   A sereia que encanta, sedutora, marinheiros sedentos da aventura de dar ao mundo, um mundo ainda maior.   Os filhos do mar ido e não voltado. Sou outro chão e outro mundo ignorado que dista muito além do Bojador.   Sou quem vai, mas sempre volta no caminho, a saudade que se escreve com carinho, povo de um coração nobre e valente.   Sou aquela que pisa no sargaço. Que contempla o mundo todo num abraço que é a filha e a mãe de tanta gente…   Alma de mar, salgado e às vezes doce. Gente brava, cantada a cada estrofe que persiste e resiste neste mund...

Liberdade

Vivia no campo, eu era importante.  Chegou o progresso, fiquei radiante. E cedo percebi que não era assim  pois senti o cárcere em volta de mim.   Procurei nos cantos da grande cidade  aquilo que homens chamam liberdade.  Nas ruas, nas fábricas, nas casas da lei  procurei a dita e não a encontrei.   Eu fui à procura em outros lugares.  Andei por países, corri outros mares.  Em tudo encontrei a doce ilusão  que o homem é livre na sua prisão.    Na busca da fugidia aspiração  símbolo da desejada evolução,  o ser, esse constante insatisfeito,  vai aonde for capaz em seu direito.   Aquele que persegue esse ideal esquece muitas vezes e para seu mal que quando se escreveu a explicação construía-se-lhe também a servidão.   Mestres da retórica da incerteza ensinam a liberdade sem clareza e induzem nos mortais essa impressão de ser a utopia, uma ilusão.   Ser livre é ser mais alto, é ser maior. Arbítrio per...

Síndroma Titanic

  O garboso Titanic transportava, na sua viagem  inaugural, classes  sociais distintas: alta sociedade e classe trabalhadora. Uns serviam, outros eram servidos,  todos no mesmo barco e embora sabendo cada um o lugar que ocupava dentro do navio, nem por isso deixavam de frequentar o mesmo espaço. Tudo era orgulho, glamour, e confiança no nível de engenharia atingido e que resultou na obra requintada navegando majestosamente pelo Oceano Atlântico. Ninguém imaginaria que aquela obra de engenharia de topo pudesse estar afundada poucos dias depois… O espectáculo dantesco que se viveu na tentativa de cada um salvar a vida mostrou de que reles matéria são feitos certos seres humanos. Na fase em que nos encontramos, da actual pandemia e com o aparecimento das diversas vacinas, parece reviver-se o fantasma do Titanic a afundar-se, onde o tráfico de influências se mostra em todo o seu esplendor. Não confundamos a árvore com a floresta, mas todos os dias parece ser notícia a xi...

De mãe analfabeta, ele morou com mais de 6 famílias e hoje é Juiz e pale...

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O valor do tempo

Observa o que fazes do teu tempo  e vale-te dele para instalar bondade e compreensão,  discernimento e equilíbrio, em ti mesmo,  porque o dia que deixas passar, vazio e inútil,  é realmente um tesouro perdido que não mais voltará.    

Eu sei do que falo...

Sei do que falo quando calo e finjo que não vejo quem se esconde por detrás das portas trancadas por dentro.   São os risos amordaçados, os silêncios assustados, soluços sufocados, numa vida congelada, parada no medo de denunciar.   Sei do que falo... Corpos que tremem, crianças que choram. Os gritos e a loucura andam à solta no lugar onde o amor dizia estar.   Sente-se o vibrar do medo. Ficam em silêncio e em segredo, as lágrimas que nunca secam, as nódoas que escurecem, sem que ninguém as possa ver.   Afinal por que mentes se não é amor. Liberta, se afinal não queres quem achas tão imperfeito Não és o dono e ninguém te pertence. Tu próprio não és nada!   Grande “herói” te sentes nessa “valentia” que aparece por entre as portas fechadas, sem testemunhas, a maltratar os mais frágeis, no lar que devias respeitar.   Mostras com orgulho a tua falta de caráter. Afinal és um ...

Mensagem de longe

  Cerras os teus olhos ao lembrar o caminho que já fizeste.   Eu não te menti!   Tudo em mim era amor, mas tudo era também futuro e mais forte ainda a vontade de vencer e de ser alguém…   Eu não te menti! As lágrimas que teimam em cair ardem no rosto e lembras como foi dura a entrega de tantos anos perdidos…   Mas eu não te menti!   Tu eras quem eu amava quem eu queria quem deixei que me esperasse, por tanto tempo quando parecia longe.   Eu não te menti, mas não te guardei comigo!   Tudo em mim era ilusão de ter e de ser maior… Anos em que a vida me engoliu na ilusão do poder.   Mas não te menti, apenas não sabia que não era a ti que mentia. Mentia a mim sem saber.   Cerras os teus olhos tristes, fechada no pensamento e deixas que o leve o vento até onde estou agora, prisioneiro da saudade, desse amor experimentado que eu não soube compreender.   É então que o sentimento, na perfeita sintonia se perdoa e se renova.   Sublime a ...

Desapego

  Estranho desapego experimento. Estranha é a calma que me invade. Serena sensatez sem fundamento, da paz que vem agora, quando é tarde.   Eu tive o teu amor, mas certamente os sonhos que eu sonhei não eram meus. Vivia no teu mundo aparente onde te adulava como a um deus   Mil dias vi nascer à tua espera. Mil noites vi chegar sem que viesses. Ciladas da ilusão, duma quimera que cedo me agarrou sem que o quisesse.   Eu fiz versos pra ti sem tu saberes. Palavras te escrevi que tu não leste. Segredos que guardei, como deveres desse amor pecado que me deste.   Agora que o fim está iminente já nada mais fará que volte atrás e os sonhos que sonhei intensamente pra mim já pouco importam, tu verás!   Estranhas a indiferença que aparento depois dos muitos anos que te amei? estranhas, mas não sabes o que lamento de ver aquilo em que me transformei.  
                                                                                Que somos nós afinal? Capítulo 27 Alienação   És a medonha trivialidade. Da vida retiraste a profundez Gastas o tempo, estranhas a lucidez que insiste em procurar-te a toda a hora   Tens medo do silêncio e da magia do eu e pouca ou nenhuma sensatez. Envolves-te no ruído, dos templos de perdição.   Enganas o coração na luxúria dos panos em que te envolves. Acorda enquanto podes, olha em redor: percebe que é breve a vida e sem sabor, enquanto insistires nesse louco acontecer.
                                                                                     Que somos nós afinal? Capítulo 26   Um novo começo     Errar é humano e faz parte do percurso de vida de todos nós. Quem nunca errou que atire a primeira pedra! Errar é, no entanto, uma oportunidade de acerto: só erra quem tenta. Quem se acomoda, só aparentemente não erra. Por si só a passividade é um erro que não permite evoluir como seria desejável. Se perfeitos fossemos por certo estaríamos num outro plano, ou seríamos um desses seres iluminados que periodicamente vêm à terra. O erro é o grande mestre que sempre avisa e ensina! E como a vida não é uma fórmula exata, precisamos criar a nossa própria fórmula, adequada a...
                                                                                     Que somos nós afinal? Capítulo 25   Perceber a morte     Nós que temos explicações para quase tudo! Que nos achamos, como seres deste século, perfeitamente preparados para todos os eventos da vida, com conceitos (embora teóricos) muito definidos e determinados. Só sabemos que nada sabemos do fenómeno Morte.   Afinal o que é a morte? Um fim, um novo começo? Na realidade ninguém sabe! Podemos deduzir muitas coisas de acordo com a nossa religiosidade ou o nosso intelecto, mas apenas deduzir. Sabemos apenas, que a morte é sempre o fim de qualquer coisa! De preferência, que tenha sido de algo que tenha valido a pena....